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Og Pozzoli e a história do antigomobilismo

Og Pozzoli e a história do antigomobilismo

Nascido na cidade de Itaboraí, Rio de Janeiro, em plena revolução de 30, Og Pozzoli logo se mudou para Natal, onde viveu boa parte de sua juventude. Seu primeiro carro foi um Opel, modelo P4, ano 1937. Com 25 anos, resolve mudar-se para São Paulo para estudar, já que em Natal não havia cursos superiores.

Há apenas um mês, em São Paulo, Og se vê obrigado a vender seu Opel por questões financeiras. Porém, em dois anos, adquiri um novo automóvel, um Lincoln Continental V12.

“Percorri 3.400 quilômetros de estrada, sendo que só 400 quilômetros eram asfaltados. Não havia postos de gasolina. Até hoje, não sei se eu trouxe o carro, ou se ele me trouxe”, completa Og Pozzoli.

Apesar de graduado em Economia pela PUC, foi na Engenharia civil que Og conquistou o sucesso econômico. Fundador da Isoterma, uma das primeiras empresas de impermeabilização do Brasil, o colecionador atravessou um período de grande prosperidade na construção civil.

AAtravés da amizade que desenvolveu com Oscar Niemeyer, Og fechou inúmeros contratos para sua empresa em Brasília. “Tive a sorte de pegar aquela fase dos 50 anos em cinco, do governo de Juscelino Kubitschek”, conta Og.

O Primeiro Clube

Nesta altura, Og começou a se relacionar com outras pessoas que também gostavam de automóveis antigos, como Roberto Lee, Eduardo Matarazzo, filho do conde Matarazzo, Ângelo Martinelli, neto do comendador Martinelli, responsável pelo edifício Martinelli, e Wladimir Neves. O pequeno grupo começou a reunir-se e compartilhar a paixão por carros antigos. Então, em 1968, fundaram, no Rio de janeiro, o primeiro clube de carros antigos do país, o Veteran Car Club do Brasil. Inicialmente, o clube contava com apenas dez integrantes.

O jornalista e amigo de Og, Maurício Memória é outro apaixonado por carros antigos, que se comprometeu a divulgar por todo Brasil o recém- formado clube de carros antigos. Depois da inauguração, alguns amigos de Og telefonaram para parabenizá-lo e cobrá-lo.

“Os nossos amigos paulistas ligavam e diziam: “você viu, os cariocas nos passaram pra trás”. E o mais engraçado é que tanto eu, quanto o Roberto, éramos aqui de São Paulo.” Explica o colecionador.

Depois foi a vez de São Paulo que inaugurou o Veteran Car Club Brasil - São Paulo. E para fazer jus ao título de patriarca, Og é sócio honorário de quase todos os clubes existentes hoje em dia no Brasil. Esclarece Og que, “Daí em diante, começaram a pipocar clubes por todo país. Ainda nessa época, os carros antigos não valiam nada”.

Após a formação desses inúmeros clubes, Og e outros membros dos clubes, resolveram formar a Federação Brasileira de Veículos Antigos. A partir daí, começaram a organizar muitos eventos de carros antigos. Surgiu, então, o Encontro Nacional de Carros Antigos. “Esta é a maior festa sobre carros antigos da América Latina”, acrescenta Og.

Atualmente, o evento é organizado pelo Veteran Car Club, em Poços de Caldas, e não tem nenhum interesse comercial. O curioso é que o encontro tem mais repercussão no exterior do que no Brasil e os fabricantes disputam para financiar.

Atualmente, Og conta com 170 carros restaurados. “Não restaurados eu não conto, porque às vezes temos que usar três carros para fazer um”, conta Og.

Og Explica

A paixão dos brasileiros por automóveis:

“Durante muitos e muitos anos, o Brasil não fabricava automóveis. O carro era um sonho inatingível. Você tinha que entrar na fila e colocar seu nome no Ministério da Fazenda, era muito concorrido. Então, acho que é daí que vem toda essa paixão do brasileiro.”

Restauração:

“Em alguns casos, um carro que está parado há 40 anos, não precisa de nenhuma restauração. Mas em outros, é necessário um ano para reconstruir o automóvel.”

Reativando o possante:

“No dia que você quiser usar um carro desses, aí você tem todo um ritual, ou seja, tira as velas, põe um pouquinho de óleo bem fininho em cada cilindro, movimenta devagarzinho, que é para não quebrar os anéis nem arranhar a camisa do pistão.”

Contraindicação:

“Tem gente que liga uma vez de dois em dois meses. Isso é ruim, estraga mais o carro do que ele ficar totalmente parado. Quando você para o carro por um tempo, a lubrificação fica toda lá em baixo. Então até o óleo aquecer, subir e lubrificar o carro, ele fica atritando seco o pistão, e isso estraga o carro.”

Despesa/Manutenção:

“Depois que o carro está restaurado, ele não te dá mais despesa, porque aí eles ficam desativados. Ou seja, ficam em cima de cavaletes, com o tanque sem gasolina, radiador vazio, pneus vazios e sem bateria.”

Oficinas especializadas:

“Hoje no Brasil, existem mais de 40 oficinas que só trabalham com automóveis antigos. Virou um autêntico comércio.”

Publicado em: 10/3/2013
Fonte: Editorcriacao.com.br

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